Nos Passos da História Coreana
Um Motorista de Táxi é um filme que combina drama pessoal com um dos capítulos mais importantes da história moderna da Coreia do Sul: o Levante de Gwangju de maio de 1980. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de um taxista de Seul que leva um jornalista alemão até Gwangju durante a repressão militar, e os locais de filmagem são, em grande parte, os próprios locais históricos onde os eventos reais aconteceram.
A Antiga Prefeitura Provincial de Jeollanam-do, no coração de Gwangju, é o cenário mais emblemático tanto do filme quanto do evento histórico. O edifício foi preservado como memorial e hoje abriga exposições permanentes sobre o Levante de Maio. Visitar este local é uma experiência profundamente comovente que transcende o cinema.
Uma Viagem entre Seul e Gwangju
Refazer a jornada do filme — de Seul até Gwangju — é uma experiência reveladora. Hoje, a viagem pode ser feita em menos de duas horas pelo trem KTX, muito diferente da longa e tensa viagem de táxi retratada no filme. Gwangju é uma cidade vibrante com uma forte identidade cultural e artística, em grande parte moldada pelos eventos de 1980.
Além dos locais de filmagem, o Cemitério Nacional do 18 de Maio e o Memorial dos Direitos Humanos complementam a experiência, oferecendo um panorama completo dos eventos retratados no filme. A Praça Geumnam-ro, onde as cenas de manifestação foram filmadas, hoje é um espaço público movimentado que pulsa com a energia de uma cidade que nunca esqueceu seu passado. Recomenda-se dedicar pelo menos um dia inteiro a Gwangju para absorver adequadamente a história e a cultura local.
Bastidores das filmagens
A produção de Um Motorista de Táxi foi um projeto profundamente responsável com a memória histórica dos eventos que retrata. O diretor Jang Hoon e o roteirista Eom Yoo-na passaram mais de um ano pesquisando os eventos reais do Levante de Gwangju de maio de 1980, entrevistando sobreviventes, ativistas e familiares das vítimas para garantir que cada aspecto da representação honrasse a realidade daqueles dias trágicos. A produção trabalhou em estreita colaboração com as organizações de memória histórica de Gwangju, que revisaram o roteiro e forneceram orientações sobre detalhes que apenas as testemunhas diretas poderiam conhecer.
A Antiga Prefeitura Provincial de Jeollanam-do, central tanto nas filmagens quanto nos eventos históricos reais, foi usada com toda a reverência que o local merece. A produção colaborou com a cidade de Gwangju para filmar no interior do edifício preservado, que hoje funciona como centro memorial. As cenas filmadas dentro do edifício usaram o espaço real sem modificações significativas, preservando a autenticidade histórica e criando um efeito de documental que o diretor buscava deliberadamente.
O ator Song Kang-ho, que interpreta o taxista Kim Man-seob, visitou Gwangju várias vezes antes das filmagens para absorver a atmosfera da cidade e compreender o impacto dos eventos de 1980 na memória coletiva local. Em entrevistas, o ator descreveu as conversas com sobreviventes como as mais impactantes de toda a sua preparação para o papel — conversas que moldaram profundamente a humanidade vulnerável e genuína que ele trouxe ao personagem.
Guia de viagem
Gwangju, a capital da Província de Jeollanam-do no sudoeste da Coreia do Sul, é facilmente acessível de Seul pelo trem KTX em aproximadamente uma hora e quarenta minutos. A cidade tem um caráter distinto do de Seul — mais humana em escala, mais regional em atmosfera e profundamente marcada pela sua história recente de luta pela democracia. O Cemitério Nacional do 18 de Maio, o local mais sagrado da memória democrática coreana, fica a cerca de 20 minutos do centro da cidade e é uma visita obrigatória antes de qualquer exploração dos cenários do filme.
A Praça Geumnam-ro, onde foram filmadas as cenas das manifestações, é a principal avenida de Gwangju e pode ser percorrida a pé em combinação com o Centro de Cultura Democrática e o Memorial do Movimento de Democratização de Maio. Muitos dos edifícios históricos que aparecem no filme ainda existem ao longo desta avenida, tornando a visita numa experiência de simultaneamente reconhecimento cinematográfico e contemplação histórica.
A Antiga Prefeitura Provincial de Jeollanam-do, o edifício mais emblemático tanto do filme quanto dos eventos históricos, foi declarada monumento histórico nacional e recebe visitas. O interior do edifício, que serve como espaço memorial e cultural, está aberto ao público em horários específicos.
Peregrinação dos fãs
Um Motorista de Táxi tem uma dimensão de peregrinação cívica que transcende o turismo cinematográfico convencional. Visitar Gwangju por causa deste filme é, simultaneamente, prestar homenagem às vítimas e sobreviventes dos eventos de maio de 1980 — uma responsabilidade que os visitantes mais conscientes levam a sério. A peregrinação ao Cemitério Nacional do 18 de Maio, onde as vítimas do levante estão sepultadas, é frequentemente descrita pelos visitantes como uma das experiências mais emocionalmente impactantes de toda a sua viagem à Coreia.
A cidade de Gwangju acolhe os visitantes com uma mistura de orgulho pela sua história e abertura genuína para compartilhá-la com o mundo. Guias locais especializados oferecem tours em inglês e japonês (e ocasionalmente em português para grupos brasileiros) que combinam os locais de filmagem com uma narração histórica rigorosa. O Arquivo de Registros Históricos do 18 de Maio da UNESCO, preservado na cidade, recebeu reconhecimento internacional pelo seu valor documental e é visitável mediante marcação prévia.
Gastronomia e atrações próximas
Gwangju é considerada por muitos coreanos a capital gastronômica do país, com uma tradição culinária da Província de Jolla que é a mais rica e diversificada da Coreia do Sul. O pato assado ao forno de Gwangju (oven-roasted duck, ou hanwoo jjimdak) é talvez a especialidade mais famosa da cidade, preparado com ervas e especiarias locais numa tradição secular. O mercado 1913 Songjeong, restaurado como espaço gastronômico e cultural, concentra dezenas de pequenos comerciantes que vendem produtos regionais e pratos tradicionais numa atmosfera que captura a alma da cidade.
A Rua Yang-lim-dong, com seus edifícios coloniais do início do século XX e as igrejas históricas que aparecem indiretamente nas cenas do filme, é um passeio cultural que contextualiza a presença dos missionários estrangeiros em Gwangju no período histórico. O Festival da Bienal de Arte de Gwangju, realizado bienalmente, é um dos eventos de arte contemporânea mais importantes da Ásia e transforma a cidade num destino cultural internacional. Os visitantes que chegam durante o festival encontram uma Gwangju vibrante e sofisticada que vai muito além da sua identidade histórica.